É ensurdecedor, o silêncio em torno daquele castelo de muitos séculos! Junto dele, à entrada de uma casinha rústica e imaculadamente branca, como rústicas e imaculadamente brancas são as casinhas da região, medita o poeta-filósofo-pintor-ceramista, em sua espera por visitantes do castelo que se disponham a atravessar a pequena porta que separa o infernal calor da tarde alentejana do fresco oásis interno propiciado pelas grossíssimas e idosas paredes de pequeninas janelas de sua casa. Com voz suave e como se levitando, conduz-nos através de suas obras expostas enquanto nos fala no seu falar de poeta sobre o que nos cerca em telas, trabalhos em cerâmica e demais criações, porque “Criar é matar a morte“, como dizia Romain Rolland. Dedicou à Nina um exemplar do seu “Silêncio Ensurdecedor”, por ele definido como uma “ponte entre as margens da utopia e da realidade” e nos conduziu com sorriso cândido, de volta ao pavoroso calor da tarde alentejana…
“Diáspora
Refém das palavras, prisioneiro das emoções, devir, desejo evanescente,
reminiscências que emergem do sofrimento, essa ditadura do vazio
As trepadeiras da alma que me abraçam o coração,
que se apoderam do poema, o apego implacável
As palavras que fecundem ilusões e que dilatam sonhos
É a diáspora dos sentidos, magnetismo, a minha armadilha…
…A Poesia!”
Luis Pedras

