Eu teria meus desasseis quando um amigo do meu pai mandou lá para casa um caixotão cheio de livros até à boca! Devorei avidamente uma coleção inteira das aventuras dos corsários das Caraíbas de autoria de Emílio Salgari e três volumes enormes de Alexandre Dumas: Os Três Mosqueteiros Volumes I,II, e “Vinte Anos Depois”. Nunca ao longo da minha vida voltei a ver essa obra de Dumas em publicação com tal extensão. Continha também dentre outras, obras de W. Somerset Maugham, John Dos Passos, Steinbeck, vários títulos de Hemingway em edição francesa e até o clássico da literatura erótica “O Amante de Lady Chatterley”, que o meu pai se apressou a segregar sem no entanto fazer muito para evitar sua leitura.
A razão do tema deste post é estar, tantos anos depois, relendo “O Crime do Padre Amaro”, que igualmente fazia parte dos volumes ofertados e que ao tempo li com enorme interesse. O exemplar que estou folheando é de encadernação antiga obviamente comprado em um sebo, que ficou na estante fechado e ignorado por anos a fio junto a outros títulos de Eça, intocados depois que a Mônica se formou em Letras. A velha capa castanha solta fragmentos nas minhas mãos e roupa, enquanto fragmentos das emoções juvenis de então afloram e se entrechocam com as do quase setentão…
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