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Archive for Agosto, 2012

Saudade

Garimpando fotos meio perdidas no caos do meu HD, encontrei este superclose da minha falecida gatinha Belina, tirada em 2005! Era superativa, destruidora de plantas, mas era também linda e eu gostava muito dela…

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Exercício

Frases podem ser tão óbvias que não haveria porquê lhes dar algum destaque, não viessem elas da boca, ou da pena de celebridades. Algumas revistas incluem um par de páginas com  “quotes” de figuras da literatura, das artes e da política, como se  todas aquelas frases fossem o suprassumo da genialidade e da verdade irrefutável. Divirto-me, analisando cada uma delas ao detalhe até que me sinta satisfeito no meu julgamento, puramente pessoal, bem entendido. Boa parte dessas frases parecem pinçadas de livros ou artigos, pelo que, não raramente, perdem sua substância ao serem reduzidas à condição de simples “statement”. Ao final do meu exercício, reverencio os autores das frases realmente inteligentes e plenas de conteúdo.

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Releituras

Eu teria meus desasseis quando um amigo do meu pai mandou lá para casa um caixotão cheio de livros até à boca! Devorei avidamente uma coleção inteira das aventuras dos corsários das Caraíbas de autoria de Emílio Salgari e três volumes enormes de Alexandre Dumas: Os Três Mosqueteiros Volumes I,II,  e  “Vinte Anos Depois”. Nunca ao longo da minha vida voltei a ver essa obra de Dumas em publicação com tal extensão. Continha também dentre outras, obras de W. Somerset Maugham, John Dos Passos, Steinbeck, vários títulos de Hemingway em edição francesa e até o clássico da literatura erótica “O Amante de Lady Chatterley”, que o meu pai se apressou a segregar sem no entanto fazer muito para evitar sua leitura.

A razão do tema deste post é estar, tantos anos depois, relendo “O Crime do Padre Amaro”, que igualmente fazia parte dos volumes ofertados e que ao tempo li com enorme interesse. O exemplar que estou folheando é de encadernação antiga obviamente comprado em um sebo, que ficou na estante fechado e ignorado por anos a fio junto a outros títulos de Eça, intocados depois que a Mônica se formou em Letras. A velha capa castanha solta fragmentos nas minhas mãos e roupa, enquanto fragmentos das emoções juvenis de então afloram e se entrechocam com as do quase setentão…  

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Juntam-se os trapos,
roupas e farrapos,
revolução no roupeiro!
Duas escovas de dentes,
mais acessórios e pentes
dão alegria ao banheiro…

É um “Sei que vou te amar,
minha vida te dedicar”,
por entre beijos de paixão!…
Amor explodindo em frenesi,
corpos suados, fora de si,
doces delírios em turbilhão…

Pra eternidade é este amor,
que nada, seja o que for
será capaz de abalar!
Almas gêmeas que se unem,
apaixonadas se fundem,
pra vida inteira enfrentar…

Mas um dia (há sempre um dia)!
Outro alguém rouba a fantasia
da eternidade desse amor…
Volúveis são os corações,
de curta dura as paixões,
Oh! Perjuras juras de amor!

Depois, é o déjà vu…
É um “Je ne t’aime plus”
com fria determinação!
Agora me digam, doutores,
como enfrentar os horrores,
desses males da separação?

(Publicado anteriormente no “Recanto das Letras”

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