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Archive for Julho, 2012

 

 

São cinco deles! Iguais, sincronos, irrefutáveis. Os colegas que estão em Okpo, no meu pensar, envelheceram doze horas em relação a mim e isso me deu um prazer insano que deveria preocupar-me! Confesso, portanto, que fiquei bastante perturbado com a novidade de todos esses contadores de tempo bem em frente dos meus olhos. Por um período suficientemente longo para prejudicar o andamento do trabalho pelo o qual sou pago, imaginei os relógios a derreterem enquanto se dobravam em agonia. Depois, milhares de carrilhões tocaram em unísono infernal dentro do meu cérebro, até que baixei a altura da minha cadeira e os malditos ficaram encobertos pela tela do meu monitor…

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Aniversário

Presente em quatro quintos da tua vida, confesso não saber dizer em quantos desses quintos eu estive presente. Estou convicto apenas de que nenhum dos quintos foi dos infernos, mesmo que pesando os períodos em que dividimos o pão que o diabo amassou.  Pela quadragésima nona vez desde que caminhamos juntos, eu beijo teus lábios enquanto repito “Feliz aniversário, Nina!”. 

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Alvíssaras

A poderosa ressonância penetrou

no âmago da minha massa cinzenta…

Tanto que escarafunchou e pesquizou,

mas ao seu termo lá  não encontrou

origem pra tontura que me apoquenta.

Mas por tal sou grato e deveras exultante!

Imagino que se essa máquina xereta

lá encontrasse algo feio e apavorante,

minha tontura deixaria de ser preocupante

mas minha vida estaria bem mais preta…

 

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Coisas da TV

Parece faltar-me vocação noveleira, a julgar pela minha reação quando alguma das que estão em curso aparece na tela. No entanto, se me levanto e me isolo no quarto, é para assistir a algum dos vários CSI’s ou correlatos, cujo interesse e qualidade estão em franca queda. Pior ainda, é que perco meu tempo e rio a bom rir com as besteiras que correm soltas em “Fashion Police”, na esculhambação do show da Chelsea Handler ou no inimaginável “The Soup”! Juro que, se me pego a assistir e gostar dos shows das Kardashians e das muchachas do Heffner, eu suicido-me a mim mesmo e fujo pra Coréia do Norte…

À hora do Fantástico Show da Triste Vida, eu costumo jogar-me de mergulho no mundo de Morpheus, desligando a chave geral e, por segurança, todos os interruptores secundários. Por isso, não passei pelo desprazer de ver a dona Collor de Mella, a ex, dizer pro povo de toda a sua desgraçada situação com tão magro e desproposital numerário que lhe é mensalmente destinado como remuneração ao seu sofrido far niente. Penso que, se burrice pessoal fosse música, a dona Collor-ex seria uma banda tocando “Lo que se pasa es que la banda esta borracha”.

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Sentado na minha confortável poltrona acolchoada com a maciêz do meu descrêr, prezo-me e regozijo-me por não me encontrar entre os incontáveis milhões de seres biológicos deste pequeno planeta, amarrados a mais ou menos obscuros preceitos e preconceitos filosófico-religiosos que regem e dominam suas vidas por meio de forças diversas: Das mais violentas e sanguinárias autocracias do absolutismo religioso armado e cruel, àquelas de foro íntimo. As vergastadas sanguinolentas podem não ser a mais contundente forma de auto inflingir estúpido sacrifício pelo sofrimento. A auto flagelação pode incluir o não menos estúpido e não menos cruel processo de aniquilação pessoal em seus valores  profissionais, estéticos, de saúde física e psicológica…

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Reflito…

Gil e Cae dispararam meu sensor de proximidade do portal de entrada para o recinto da sétima década e eu passei a refletir um pouco mais, despedindo-me de boa parte das minhas certezas. O meu ideal seria encontrar nesse recinto, uma pousada: A Pousada da Sétima Felicidade. Ali, eu teria um casulo só meu, silencioso mas não hermético, para permitir a entrada da minha mais-que-tudo sempre que ela estivesse disposta a aceitar os decibéis do meu silêncio, o sui generis do meu estranho amar, a vibração do meu ressonar. No meu casulo, eu teria espaço para caminhar suavemente em trilha circular numa órbita em torno do meu outro eu, com destino a destino nenhum. Hóspede de mim próprio, poderia, desligado de todos os medos, desenlear do caos as ideias armazenadas no silo que é a minha alma e escrever sem parar, em prosa e verso, até que meus órgãos se recusassem a prosseguir…

 

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