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Archive for Maio, 2012

Fashion

 

Podem criticar-me, se lhes aprouver, mas sou viciado nos loucos shows da desbocada Joan Rivers em “Fashion Police” no E Internainment! Nada entendo de moda e,  a não ser por uma certa dose de bom senso para dizer se gosto ou não, mais ligado à sensação pessoal de passar-me ou não apêlo sexual, o mundo fashion exerce em mim irresistível atração por uma única razão: A fotografia! Mas, a veneranda Joan Rivers (78), é um espetáculo à parte em termos de vitalidade e volume de veneno destilado nas críticas aos modelitos desfilados pelas cinematográficas peruas sobre os tapetes vermelhos nos grandes eventos. Desmancho-me em gargalhadas de perder a respiração e sou, portanto, seu fã incondicional. Ela ainda não sabe mas, concedo, tenho a intenção de dizer-lho um dias destes…

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Retorno

Os meus pés estão do outro lado de um projetor de luz branca e forte. Eu não os enxergo, mas sinto hora o afago das mãos enluvadas, hora as tormentosas intervenções dos ferros que podam minhas doloridas calosidades. Retiro uma revista do suporte junto de mim e tento ler, mas acabo por desistir e optar por continuar imerso nos meus pensamentos que, dou-me conta, interpretam as minúcias que meus olhos vão descobrindo e admirando nos fragmentos visíveis do rosto da podóloga. Rosto lindo, com uma expressão de autenticidade africana, lábios carnudos, vermelhos, pele brilhosa e feliz. Adoro fotografar rostos e aquele mereceria um ensaio de preparação esmerada. Belisquei-me, para acordar para a realidade: O belo rosto é de uma quiropodista em plena função e não de uma modelo. A foto da ilustração,  de pouca qualidade, não foi  “roubada”, mas quase…

Há várias semanas que não me atrevo sequer a entrar no blog. A verdade é que não é de agora  esta espécie de sentimento de auto rejeição e profunda vergonha de reler o que escrevo, o que faz de mim uma fraude, posto que o verdadeiro poeta escreve sem culpa o que lhe dá na telha. Deixar-me arrastar pelo inesgotável caudal de trabalho, tem sido uma forma de justificar o ostracismo literário, do qual tento agora sair com a ajuda das forças que possam acudir-me.

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