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Archive for Dezembro, 2011

Natal em Coppell – foto por Nelsinho

No Natal da minha infância não tinha uma árvore cintilante, carregada de luzinhas-que-piscam, atraentes e frágeis bolinhas coloridas, sininhos de fino cristal, estrelinhas, algodão servindo de neve e demais enfeites…

Mas tinha a alegre bagunça que fazíamos na cozinha, para desespero da minha mãe, no seu esforço e carinho para produzir, mais saborosas que nunca, as rabanadas, as orelhas de abade, a aletria doce, o inesquecivelmente delicioso leite-creme! Quebrávamos e comíamos nozes e amêndoas e, atrevidos, ousávamos enfiar os dedinhos nas tijelinhas onde estavam já cortadas as frutas cristalizadas para o bolo-rei! Ah! Como eu adorava o nosso Natal sem árvore!

Enfim, chegada a noite e a hora da consoada, com todas aquelas incríveis e coloridas gostosuras ali expostas ao regalo dos nossos olhinhos e apetite, não tardava porém muito tempo para que os efeitos da intensa movimentação do dia aflorassem com aquela soneira irresistível à mesa! Meu pai então mandava que vestíssemos os pijamas, escovássemos os dentes e colocássemos, muito alinhadinhos, nossos sapatinhos sobre o fogão, bem no meio da chaminé, para que o Pai Natal pudesse vê-los…

“Acorda, maninha! Acorda, que já é de dia!”, chamava eu em voz sussurrada, enquanto abanava a minha irmã! Ainda ensonada, ela me seguia descendo as escadas até à porta da cozinha, de onde espreitávamos ainda receosos, até confirmar-mos que sim! Pai Natal não nos esqueceu e lá estavam um reluzente automóvel de corda vermelho, um caminhãozinho de madeira, uma boneca grande e linda com cabêlo e uma mobilinha!

As recordações do Natal da minha infância não incluem a árvore, mas contêm a mais pura alegria, doçaria de montão e muito, muito amor no coração…

Originalmente publicado no “Recanto das Letras”

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Silêncio

                                                            Foto por Nelsinho
É tão triste, Cesária…
Tão cedo nos deixaste, Cesária!
Agora, só os anjos ouvem tua voz
e te acompanham extasiados,
com suas harpas douradas…

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Recortes





“Pior que um político, só um político-militar, que por sua vez é superado em estupidez despótica por um político-religioso com poderes militares.” 






Em “O Livro do Meu Caos”

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Recortes

“…Ousei até creditar à lusitanidade esta minha tão extremada ligação melancólica com o Mar mas, no momento seguinte, flagrei meu outro eu em expressão de crítica por tal pensar. Agastado, pisei firme no firme chão e diriji um rogo de ajuda, a quem na vida ajuda nunca me recusou…”






Em “O Livro do meu Caos”

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Retorno


A sedação, a que chamei de coma induzido, serviu-me para dar um tempo e repensar até onde é válida a continuidade do Blog,  num cenário muito pouco propício para a criação. O resultado nada tem de surpreendente: Se por um lado me tenho sentido “livre”, por outro, acabei dando por mim num estranho vazio ou  lacuna que descubro, em pânico, ser ultra permeável a elementos altamente poluidores, tais como TV, por exemplo! Retirei, pois, a sedação. 
A alta da UTI seguir-se-á…

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