Archive for Junho, 2011
Naturalmente…
Posted in Uncategorized on 30/06/2011| Leave a Comment »
Improviso
Posted in Uncategorized on 26/06/2011| 5 Comments »
"Utopia"
Posted in Uncategorized on 25/06/2011| 2 Comments »
Coração gozado este meu coração estupidamente mole e otário ao ponto de insistir em apalpar a escuridão do silêncio buscando respostas, acreditando piamente em estórias de fadas, príncipes e lindas princesinhas espalhando perfumadas rosas sem espinhos ao longo do meu espiritual caminho…
Antes que eu saia por aí relinchando e tenha de consultar um veterinário, vou sentar nesta mesa e tomar um bom lusitano vinho. Em seguida, vou refugiar-me na Pasárgada, com licencinha do poeta…”
A Moldura
Posted in Uncategorized on 24/06/2011| Leave a Comment »
Lugre
Posted in Uncategorized on 18/06/2011| 3 Comments »
Foto muito antiga do “Ana Maria”
Apertei o último botão da “samarra” e dobrei o grande colarinho forrado de pele de carneiro de forma a proteger o pescoço e os ouvidos do penetrante vento gelado que fazia sentir-me miserável e indefeso, mas ali estava eu estendido de costas sobre o madeirame do convés que ainda fedia a estopa e piche da meticulosa calafetagem a que havia sido submetido no estaleiro.
Encoberto pelos dóris encastelados e já peados para a grande e aventurosa viagem, eu me perdi em pensamentos observando a magestosa mastreação apontando o céu, tentava identificar retrancas, caranguejas, gurupés e via as nuvens passando baixas dando-me uma sensação de movimento e propelindo minha imaginação para a experiência de estar navegando, navegando mar afora à aventura da vida, à aventura dos meus sonhos com os pescadores mais valentes da Terra Nova!…
Subitamente, uma pesada manápula fechou suas garras em torno do meu braço esquerdo com tamanha força e a dor foi tão lancinante, que gritei achando que haviam esmagado meus ossos!
“Anda cá, meu bandidinho, que vais sair daqui preso para a tutoria”, berrava o monstruoso contramestre cuspindo milhões de perdigotos no meu rosto! E lá fui eu arrastado convés afora até uma gaiúta à prôa, forçado pelas estreitas escadas abaixo até à câmara dos oficiais.
A câmara era um conforto só e estava quentinha para que os principes do mar e suas convidadas esquecessem as agruras da friagem externa, enquanto conversavam e sorviam vagarosamente seu chá, mordiscavam biscoitinhos recobertos de chocolate e tomavam licores reservados às divindades!
“Encontrei este miúdo escondido entre os dóris, senhor capitão! Penso que se preparava para sair conosco para o mar como já aconteceu com outro na viagem anterior…”
O velho comandante fixou seus olhos em mim e perguntou: “Que idade tens tu, meu rapaz?” E continuou: “Quem te trouxe para bordo?”
Procurei coragem no olhar misericordioso da linda e distinta senhora à minha frente, enquanto declarava que iria completar treze anos e que pagara vinte e cinco tostões ao chateiro para me trazer à borda e me levar de volta quando eu fizesse sinal, que não havia ninguém no portaló na hora que entrei e que não tinha nenhuma intenção de ficar para sair com o navio!
Um bote do “Ana Maria” devolveu-me a terra depois de muitas desculpas e, enquanto saboreava lentamente o chocolate oferecido pela formosa e distinta dama, voltei-me admirando orgulhoso o magnifico lugre, último dos grandes bacalhoeiros a navegar exclusivamente à vela e que, um ano depois, desapareceria nas águas geladas da Terra Nova!
Publicado originalmente em Mukandas do Nelsinho – Primeira Versão
À minha namorada
Posted in Uncategorized on 12/06/2011| 1 Comment »
“My Love” – Foto Luis C Nelson
Serei eu um homem comum?
Posted in Uncategorized on 05/06/2011| 1 Comment »
Diz-me
Posted in Uncategorized on 04/06/2011| Leave a Comment »
Diz-me, ó vento passageiro
p’ronde vais com tanta pressa…
Decerto é lugar bem maneiro,
d’alegria o tempo inteiro
e com felicidade à beça!
Diz-me rio caudaloso
p’ronde vais em corredeiras…
Decerto p’rum estuário gostoso
onde calmo e langoroso
te espraias em regaleiras!
Diz-me, meu EU tão lanceiro
P’ronde vais em tal trotar!…
Decerto que aventureiro,
enfrentas o risco inteiro
pros ganhos justificar
Diz-me, minh`alma aberta
qual é a trilha e a hora certa
pra parar e descansar,
Antes que seja o terreiro
que me acolha o corpo inteiro
p’r ad eternum repousar…
Publicado anteriormente
no Recanto das Letras


